Goiânia, 09/10/2026

Brasil registra uma internação por envenenamento a cada 2 horas

Produtos químicos e remédios lideram casos de intoxicação no país

O Brasil registrou 45.511 internações por envenenamento nos últimos 10 anos, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (8) pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede). O número equivale a uma média de 12,6 internações por dia, o que significa que a cada duas horas uma pessoa é hospitalizada no SUS após ingerir substâncias tóxicas.

A maior parte dos casos envolve produtos químicos não especificados (6.556 registros), drogas e medicamentos (6.407) e substâncias químicas nocivas (5.104). Entre os episódios acidentais, os mais comuns são os envenenamentos por analgésicos e remédios para dor e febre (2.225), além de intoxicações por álcool, pesticidas, sedativos e anticonvulsivantes.

Casos intencionais em destaque

O estudo aponta ainda que 3.461 pessoas foram intoxicadas propositalmente por terceiros. Para a Abramede, esse cenário escancara falhas na fiscalização e facilidade de acesso a venenos, mas também o uso dessas substâncias em conflitos familiares e emocionais.

“O trabalho dos médicos emergencistas é crucial para salvar vidas em situações críticas como essas”, ressaltou a entidade.

Perfil das vítimas

A maioria das vítimas é do sexo masculino (23.796 casos). Entre os grupos mais vulneráveis estão adultos jovens de 20 a 29 anos (7.313 registros) e crianças de 1 a 4 anos (7.204). Bebês menores de 1 ano e idosos acima de 70 anos aparecem com os índices mais baixos.

Distribuição regional

A Região Sudeste lidera os registros, com 19 mil casos no período — só São Paulo respondeu por 10.161 internações. Na sequência estão:

  • Sul: 9.630 casos (Paraná, 3.764; Rio Grande do Sul, 3.278)

  • Nordeste: 7.080 (Bahia, 2.274; Pernambuco, 949)

  • Centro-Oeste: 5.161 (DF, 2.206; Goiás, 1.876)

  • Norte: 3.980 (Pará, 2.047; Rondônia, 936)

Tragédias recentes

Nos últimos meses, episódios de envenenamento voltaram a chocar o país:

  • Dezembro/2024 – Torres (RS): três pessoas da mesma família morreram após bolo com arsênio; uma suspeita foi presa.

  • Janeiro/2025 – Parnaíba (PI): cinco pessoas, incluindo um bebê, morreram após ceia contaminada com inseticida.

  • Abril/2025 – Imperatriz (MA): duas crianças morreram ao comer ovo de Páscoa envenenado.

  • Abril/2025 – Natal (RN): um açaí adulterado matou uma bebê de 8 meses e deixou outra vítima em estado grave.

Prevenção e alerta

Para especialistas, os números revelam não apenas a gravidade dos casos, mas também a necessidade de campanhas educativas, maior rigor na fiscalização e ampliação das políticas públicas voltadas à segurança alimentar e uso de substâncias químicas.