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05 de Setembro de 2025, 17h:57 - A | A

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Dissidente projeta mensagens contra o Partido Comunista e expõe fragilidade do regime na China

Inspirado em atos de resistência recentes, Qi Hong utilizou tecnologia para protestar da Inglaterra e driblar a repressão chinesa.

Alecsander C. Ulbrik



Quando as autoridades chinesas perceberam a movimentação, Qi Hong já estava em Londres. O dissidente planejou cada detalhe de seu protesto para ocorrer à distância, justamente para escapar da retaliação imediata do Partido Comunista.

Durante cerca de 50 minutos, um retroprojetor instalado em seu apartamento exibiu frases de forte contestação no prédio vizinho. Entre elas estavam:

  • “Somente sem o Partido Comunista pode haver uma nova China.”

  • “Abaixo o fascismo vermelho, derrubem a tirania comunista!”

  • “Sem mentiras, queremos a verdade; sem escravidão, queremos liberdade; o tirânico Partido Comunista deve renunciar!”

  • “A liberdade não é uma esmola, deve ser conquistada. Levantem-se e resistam para reivindicar seus direitos.”

Uma câmera registrou o momento em que policiais invadiram o imóvel, acreditando encontrar o responsável ainda no local. Mas o manifestante já estava fora do país. No quarto de hotel, ao lado do projetor, Qi deixou uma mensagem manuscrita destinada aos agentes:

“Mesmo que hoje vocês sejam beneficiários do sistema, um dia inevitavelmente se tornarão vítimas nesta terra. Tratem o povo com bondade.”

De onde veio a inspiração?

A ação de Qi Hong não foi isolada. Ele se inspirou em protestos que desafiaram diretamente o regime de Xi Jinping nos últimos anos:

  • Peng Lifa, o “Homem da Ponte”, que em 2022 expôs faixas contra Xi em Pequim;

  • o Movimento do Papel Branco, manifestação contra os lockdowns da política de Covid zero;

  • e Mei Shilin, que pendurou bandeiras de contestação em Chengdu.

A diferença é que Qi usou a tecnologia como arma de resistência. Ele deixou a China dias antes, acompanhado da esposa e das filhas, e comandou toda a operação da Inglaterra. Ainda assim, sua família pagou o preço: sua mãe foi interrogada e seu irmão detido após o ato.

Como o protesto repercutiu

As imagens circularam pelas redes sociais por meio do dissidente conhecido como Professor Li, alcançando mais de 18 milhões de visualizações em quatro dias.

“Qi Hong enganou a polícia, derrotou a máquina do Estado, e pouco puderam fazer contra ele”, disse Li Ying, hoje considerado a principal voz da oposição chinesa no meio digital.

A Human Rights Watch avaliou que o ato demonstra “a disposição contínua de cidadãos destemidos de criticar publicamente Xi Jinping e pedir reformas democráticas diante da crescente repressão do governo”.

O episódio ocorreu justamente na véspera de um desfile militar organizado pelo regime. Essas demonstrações de força são usadas por governos autoritários como símbolo de poder. No século XX, tanto a União Soviética quanto o Nazismo e o Fascismo recorreram a desfiles grandiosos como forma de propaganda, ao mesmo tempo em que silenciavam a oposição.

Da mesma forma, entender os autoritarismos do passado ajuda a compreender o cenário atual na China, onde a censura e a repressão seguem como pilares da manutenção do poder.

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