Goiânia, 09/10/2026

“Objetivo era matar, não roubar”, destaca delegado sobre crime em São José do Rio Claro

Polícia Civil descarta latrocínio e investiga execução contra professora Rosineide da Silva Pereira

A Polícia Civil descartou, de forma preliminar, que a morte da professora Rosineide da Silva Pereira, 41 anos, tenha sido motivada por roubo ou latrocínio. O corpo da servidora pública foi encontrado no último sábado (13), dentro do próprio veículo, em uma plantação a cerca de 10 quilômetros de São José do Rio Claro, no médio-norte de Mato Grosso.

Segundo o delegado Arnon Osny Mendes, responsável pelo caso, todos os indícios apontam que o objetivo dos criminosos era executar a vítima. “

Não se trata de um crime patrimonial. Não seria um roubo de veículo, nem um roubo de joias. A gente tomou conhecimento que não houve movimentação na conta bancária, furto ou subtração de valores da casa da vítima. Infelizmente, a professora Rosineide foi vítima de um homicídio”, declarou.

As forças de segurança atuam em conjunto para esclarecer o caso. A Polícia Civil conta com apoio da Polícia Militar e de setores de inteligência, na tentativa de identificar não apenas os dois homens que levaram a professora, mas também possíveis mandantes.

“Não havia nenhum histórico de inimigos, nem inimizades. Era uma pessoa bem querida na sociedade, respeitada no meio escolar, tanto pelos colegas quanto pelos alunos”, reforçou o delegado.

Mendes explicou ainda que aguarda laudos periciais que podem ajudar a definir a dinâmica do crime. Ele não descarta a participação de outras pessoas além da dupla que aparece nas imagens de câmeras de segurança.

“Nos crimes de execução de homicídio geralmente há informações privilegiadas, até porque os executores têm que ter o mínimo de informações sobre a vítima. Então, fica evidente que pode haver colaboração de um terceiro”, completou.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Rosineide chega em casa, por volta das 17h de quinta-feira (11). Ao estacionar o Jeep Compass na garagem, ela é surpreendida por dois homens em uma motocicleta. A dupla abandona o veículo em frente à residência, com a chave na ignição, e entra no carro da vítima, levando-a em direção ignorada.

Dentro da casa, segundo a polícia, não havia sinais de arrombamento nem de luta corporal, o que reforça a tese de crime planejado.

Dois dias depois, no sábado de manhã, moradores da zona rural acionaram as autoridades após encontrarem um carro abandonado em uma plantação. No interior do veículo estava o corpo da professora.

A descoberta chocou São José do Rio Claro, município de pouco mais de 19 mil habitantes, onde Rosineide era concursada e lecionava na Escola Municipal João Trevisan. Colegas e estudantes descreveram a docente como dedicada, carismática e comprometida com a educação.

Clamor por justiça

O assassinato provocou comoção na comunidade escolar e entre os moradores da cidade. Nas redes sociais, mensagens de luto e pedidos de justiça se multiplicaram. A prefeitura decretou luto oficial de três dias em homenagem à professora.

Enquanto isso, a Polícia Civil segue reunindo provas e ouvindo testemunhas. A expectativa é que novos elementos sejam revelados nos próximos dias, incluindo o resultado de exames periciais que podem indicar a causa da morte e eventuais indícios sobre os autores e possíveis mandantes.

“É um caso que exige atenção total. A sociedade pode ter certeza de que estamos empenhados em dar uma resposta rápida e justa”, concluiu o delegado Arnon Osny Mendes.