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18 de Setembro de 2025, 12h:33 - A | A

Política / Política

Câmara aprova urgência de projeto de anistia por 311 votos a 163

Proposta acelera debate sobre perdão a condenados pelos atos de 8 de Janeiro

Mutum Noticias / Jovem pan



A Câmara dos Deputados aprovou, por 311 votos a 163, o requerimento de urgência para a tramitação do projeto de lei que concede anistia a condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. A decisão foi tomada na noite desta quarta-feira (17), após intensa articulação de líderes da oposição junto ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Com a urgência aprovada, o mérito do projeto poderá ser apreciado diretamente em plenário, sem passar pelas comissões. Isso abre caminho para que a proposta seja votada de forma mais rápida, em um ambiente marcado por forte polarização entre governistas e opositores.

A principal controvérsia gira em torno da abrangência da anistia, que pode incluir não apenas manifestantes presos após os atos de 8 de Janeiro, mas também crimes eleitorais relacionados às manifestações.

Em defesa da proposta, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) discursou de forma emocionada. “Esse momento pode marcar a história do nosso país. É uma luz no fim do túnel de um período sombrio. Estamos falando do sofrimento de centenas de famílias e milhares de brasileiros”, declarou.

Segundo ele, muitos dos detidos seriam “prisioneiros políticos” e estariam sendo punidos de forma injusta. “Hoje eu tenho orgulho de vir aqui em nome do PL, em nome de todo brasileiro de bem, de todo cristão, de todos que querem ver uma nação livre. Presidente, o PL orienta sim”, afirmou, sendo aplaudido por colegas de partido.

Na outra ponta, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), orientou a bancada a votar contra a urgência. Para ele, a proposta vinda do Senado, de autoria de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), é “ampla, geral e irrestrita”.

“Essa anistia abre a porteira para que crimes eleitorais também sejam perdoados. Estamos diante de uma escalada contra a democracia que começou com ataques às urnas, passou pela minuta do golpe e culminou nos atos de 8 de Janeiro”, disse.

Farias citou ainda a existência de um suposto “plano de assassinato” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. “Alguém aqui acredita que eles querem pacificar alguma coisa?”, questionou.

Impasses jurídicos

Além do embate político, a proposta também levanta dúvidas jurídicas. O texto original prevê uma anistia ampla, mas setores da oposição defendem uma versão “light”, voltada apenas para a redução de penas e com base na Lei de Execução Penal.

Essa alternativa, segundo defensores, seria mais facilmente aplicada e beneficiaria inclusive condenados já em regime fechado. Ainda assim, especialistas alertam que a medida traria dificuldades adicionais para o cumprimento das sentenças e poderia gerar insegurança jurídica.

Com a aprovação da urgência, o projeto pode ser pautado para votação a qualquer momento pelo presidente da Câmara. Para ser aprovado, precisará apenas de maioria simples em plenário. Caso avance, seguirá para análise do Senado.

O governo, que tentou obstruir a votação, deve intensificar a articulação para barrar o avanço da proposta. A base governista argumenta que a anistia representa um “apagão da memória democrática” e incentiva novos ataques às instituições. Já a oposição defende que o perdão seria um gesto de reconciliação nacional.

O tema promete seguir como um dos mais polêmicos no Congresso neste semestre, reacendendo debates sobre os limites da democracia, o papel do Judiciário e a capacidade de o Legislativo produzir soluções em um cenário de forte divisão política.

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